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Uma CPI que caminha para legitimar o contrato do transporte coletivo de Blumenau

Não sei, talvez seja só um sentimento meu. Mas a cada reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o contrato do transporte coletivo de Blumenau, firmado entre a Prefeitura de Blumenau e a Blumob, fica claro que boa partes das temáticas abordadas com os convidados buscam sustentar algumas teses que são favoráveis a empresa e ao acordado firmado.

Foi assim com o diretor jurídico da Blumob, o presidente da AGIR, o secretário de Transporte e Trânsito de Blumenau e nesta quarta-feira com o diretor de Transportes da Seterb, Lairto Leite, que é uma indicação do PSDB ao cargo.

E aqui não tem juízo de valor.

A matemática é simples e mostra a falta de experiência do vereador Carlos Wagner, o Alemão (PSL), que como proponente da CPI indicou apenas três membros na Comissão e acabou ficando isolado. Os outros dois integrantes são os vereadores Marcelo Lanzarin (Podemos), atual líder do Governo, e o relator Alexandre Matias, presidente do PSDB de Blumenau e líder de Governo de Napoleão Bernardes, que quando era prefeito estava filiado no PSDB e foi o responsável pela caducidade do Consórcio Siga, por trazer a Piracicabana – que deu origem a Blumob – para Blumenau, pela licitação e pelo contrato com a Blumob.

Sendo assim, os vereadores da base governista trabalham os questionamentos para dar visibilidade as respostas que interessam o Governo, como foi na reunião de hoje. Lairto Leite, que ocupou primeira vez esta função desde 2013, no começo do primeiro mandato de Napoleão Bernardes -, respondeu perguntas que buscavam saber os problemas do extinto Consórcio Siga, outras situações como o peso dos cobradores e de gratuidades no custo final das tarifas e sobre as medidas sanitárias adotadas pela Blumob durante a pandemia.

E, é claro, que a necessidade de aporte do Município para a Blumenau, na casa dos R$ 24 milhões, acabou sendo legitimada, em especial por conta da pandemia. Na reunião desta quarta e nas demais com outros convidados este tema foi abordado, para mostrar que esta é realidade de outras cidades também.

O líder de Governo Marcelo Lanzarin chegou a perguntar se a falta de uma garagem da empresa – norma prevista na licitação e não cumprida – causa algum prejuízo para o usuário, que obviamente foi negado pelo diretor.

Para se ter uma ideia do que estou escrevendo, os questionamentos dos vereadores da base duraram cerca de uma 1h15, sendo que do vereador proponente cerca de 10 minutos. Carlos Wagner parecia literalmente ter jogado a toalha para investigar alguma possível irregularidade no contrato ou mesmo no enfrentamento a pandemia.

No final, ainda propôs que o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) seja ouvido, não para dar explicação sobre o passado e sim sobre as ações para o futuro, para o “novo” normal, como sinalizou Alexandre Matias. O Tucano entendeu que não deveria haver o convite, Lanzarin disse que poderia acontecer, mas na reta final da CPI, mas mesmo assim, novamente jogando a toalha, o presidente não quis nem colocar em votação.

Como o Informe Blumenau já se posicionou, é uma CPI importante, mas feita com muito atraso. Era para ter saído no final de 2016, ainda há tempo de interferir na licitação ou em 2017 ou 2018, quando o contrato estava começando a vigorar.

Agora a realidade é outra e muitas coisas são colocadas na conta da pandemia.

(Fonte: Jornal Floripa)

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