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Sem interessados, leilão do trem-bala fracassa

O leilão do trem da alta velocidade fracassou. Nenhum grupo se apresentou na concorrência nesta segunda-feira, data marcada para as empresas entregarem seus envelopes com suas propostas.

 

O evento ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo. As propostas deveriam ter sido entregues até as 14h desta segunda-feira.

Entretanto, apenas grupos que detêm tecnologia –e que estavam interessadas em atuar como fornecedoras– estiveram na Bovespa para verificar se havia ou não interessados no empreendimento –entre os quais estavam franceses da Alstom, japoneses da Mitsui e sul-coreanos, além de dois outros grupos que não quiseram se identificar.

Uma comissão iria receber os documentos, em envelopes lacrados, que seriam encaminhados nesta tarde à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e abertos no dia 29, data marcada para o leilão.

A ANTT confirmou hoje que nenhuma empresa entregou proposta. O governo decidiu manter a data dele, mesmo com novas exigências do TCU (Tribunal de Contas da União) e três pedidos oficiais de adiamento.

Venceria o leilão quem oferecesse a menor tarifa para os serviços, a partir de uma tarifa-teto fixada em R$ 199,73.

 

Reportagem da Folha do dia 7 mostrou que as cinco grandes empreiteiras do país só aceitavam entrar com R$ 3 bilhões de capital próprio no trem-bala. O valor é próximo de 5% do custo calculado por elas para o projeto.

O governo calculou que o custo do projeto estaria hoje em R$ 38 bilhões. O governo se compromete a ser sócio com cerca de R$ 4 bilhões, emprestaria outros R$ 22 bilhões via BNDES (com possibilidade de subsídio de R$ 5 bilhões) e colocaria ainda recursos estimados no mercado entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, via fundos de pensão e empresas públicas.

O projeto do trem-bala prevê a ligação das cidades de Campinas, São Paulo e do Rio de Janeiro. Com cerca de 500 quilômetros (km) de extensão, vai passar por aproximadamente 40 municípios.

Na última sexta-feira, o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, garantiu que o certame não seria adiado e que não haverá mudanças no edital.

“A decisão é de não mudar nada”, disse Figueiredo.

Perguntado sobre o risco de uma licitação vazia, caso nenhum concorrente entregue propostas nesta segunda-feira, Bernardo afirmou que não havia sinalização de que um adiamento melhore as condições do leilão.

 

Por: AGNALDO BRITO
(Fonte: Folha de SP)

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