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Obra do VLT nunca teve projeto executivo completo, afirma gerenciador durante CPI das obras da Copa

E ainda não recebemos R$ 5,4 milhões que eram devidos, por isso, seguindo a Lei de Licitações, suspendemos nossos serviços”, disse.

 

O engenheiro Valter Boulos, representante do consórcio Planservi-Sondotécnica, que gerencia e fiscaliza as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e Várzea Grande, informou que nunca recebeu o projeto executivo completo da obra do modal. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as Obras da Copa, nesta quarta-feira (22), o engenheiro, que é sócio da Planservi, informou que o conjunto de empresas executoras da obra, o Consórcio VLT Cuiabá, entregou diversas pranchas de projetos ao longo do contrato, muitas das quais fora dos padrões da engenharia civil.

 

“Nunca recebemos o projeto executivo completo. A obra pode ser feita por partes, mas o projeto tem que ser completo. Das 4.421 pranchas de projetos que estavam programados, não recebemos 478. Dessas, 604 não foram aprovadas; 1.936 foram aprovadas com ressalvas; e 1.851 foram aprovadas por completo. Somos simpáticos à obra ter projeto executivo completo porque evita surpresas desagradáveis. Sem isso, há insegurança de valores, de custo da obra. Essa é uma das críticas que faço ao RDC (Regime Diferenciado de Contratação)”, disse.

 

Valter Boulos isentou a gerenciadora Planservi-Sondotécnica de qualquer responsabilidade sobre os problemas e atrasos encontrados nas obras do modal. Ele afirmou que, ao longo do contrato, que teve início em janeiro de 2013, foram feitas cerca de 570 notificações chamadas IP (Identificação de Problmas) para que o consórcio VLT Cuiabá corrigisse problemas na obra.

 

“Nós informamos exaustiva e tempestivamente todas as não-conformidades na obra do VLT. Temos a consciência tranquila. Demos ao cliente, o Governo do Estado, todas as condições para julgar e tomar atitudes com relação à obra. Mostramos todos os atrasos nos cronogramas, e sempre soubemos que o VLT não ficaria pronto para a Copa. Os atrasos não nos pegaram de surpresa”, declarou.

 

Por outro lado, o gerenciador também evitou culpar o governo ou o consórcio construtor, afirmando que todos os apontamentos feitos foram corrigidos. No entanto, Valter Boulos não justificou porque obras como o Viaduto da Sefaz continuam com problemas estruturais e até foi preciso interditá-lo. Ele disse apenas que 70% da fundação do viaduto já estava pronta quando a gerenciadora começou a atuar. Quanto aos alagamentos no Viaduto da UFMT, Boulos afirmou que um impasse entre a Prefeitura e a Secopa, sobre quem seria responsável pela drenagem da área, levou à situação calamitosa que o trecho fica toda vez que chove.

 

Valter Boulos afirmou, ainda, que as medições foram todas corretas e que tudo o que foi pago ao Consórcio VLT Cuiabá, R$ 1,066 bilhão, de fato foi construído. Segundo ele, de R$ 606 milhões previstos em obras físicas, R$ 332 milhões foram executados e pagos. O restante já pago corresponde a trilhos, material rodante e sistemas. Ele acredita, ainda, que não deveria haver aditivos na obra, e que o Consórcio VLT Cuiabá deveria entregar o VLT recebendo apenas os cerca de R$ 400 milhões que faltam para concluir o contrato, e não os R$ 900 milhões que o Governo do Estado estima ainda serem necessários para concluir a obra (R$ 500 milhões além do contrato).

 

O contrato da Planservi-Sondotécnica previa o pagamento de cerca de R$ 47 milhões ao longo de 27 meses de gerenciamento e fiscalização da obra. Boulos afirmou que o valor corresponde a 3% do custo total do VLT, que é de R$ 1,477 bilhão, e que o valor segue a tabela suíça para gerenciamento de obras. “Mas tive grande decepção com essa obra, porque o pagamento sempre esteve atrasado. E ainda não recebemos R$ 5,4 milhões que eram devidos, por isso, seguindo a Lei de Licitações, suspendemos nossos serviços”, disse.

 

Omissão da Secopa

 

Nesta quarta a CPI ouviu também a auditora Nilva Izabel Rosa, da Controladoria Geral do Estado (CGE). Ela apontou omissão por parte da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) com relação aos apontamentos feitos pela auditoria. “Percebi baixa atuação das autoridades que poderiam mudar os rumos da obra. Quando a notificação chegava na Secopa, não havia andamento para tomar providências. Foram feitas muitas recomendações, e quase nenhuma atendida”, afirmou.

 

O superintendente da Caixa Econômica Federal, Carlos Roberto Pereira, que estava previsto para depor na mesma reunião da CPI, não compareceu pois houve erro na convocação. A oitiva dele será remarcada para outro dia.

 

(Fonte: Olhar Direto)

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