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FUP quer novas regras para licitação de plataformas


Aumento do conteúdo local na construção offshore é alavanca para reindustrialização do país

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) entregou ao presidente Lula propostas para reindustrialização do país, que são defendidas pelo governo. A Federação acredita que um dos pilares do projeto de reindustrialização passa pela discussão sobre o aumento do nível de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobrás, com o desenvolvimento da cadeia de fornecedores de bens, serviços e de máquinas e equipamentos. O pleito foi encaminhado pela FUP ao presidente Lula e ao titular da Petrobrás, Jean Paul Prates.

Atualmente, o índice de conteúdo local nas licitações de plataformas da Petrobrás é de 25%. Já foi de 40% no passado. ”Embora baixo, o percentual não é fácil de ser cumprido em função do modelo de licitação determinado pela empresa nos últimos anos, que, na prática, privilegiou encomendas no exterior”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Ele espera que a nova gestão da empresa, sob o comando de Prates, reformule as regras de licitação. Segundo ele, os editais seguem normas de contratos únicos, e como os valores são muito elevados, girando em torno de R$ 15 bilhões por plataforma (cerca de US$ 3 bilhões), alijam empresas nacionais da competição, em favor de conglomerados estrangeiros, com estaleiros principalmente na Ásia”.

A questão foi objeto de discussão no Grupo de Trabalho de Minas e Energia do governo de transição, do qual Bacelar e Prates fizeram parte. Uma das alternativas defendidas é a divisão dos contratos em diferentes partes (casco, obras de integração da plataforma, módulos), visando agregar concorrentes e, com isso, ampliar a presença de fornecedores brasileiros.

O Plano Estratégico (PE) da Petrobrás para o período 2023/2027, aprovado na gestão bolsonarista, prevê a implantação de 18 plataformas marítimas (FPSOs) nesse período. “Porém, nada indica que haverá encomendas à indústria naval nacional. Para isso, os modelos de licitação terão que ser mudados, de forma a possibilitar a maior participação de estaleiros brasileiros”, destaca o dirigente da FUP. A entidade sindical defende a revisão do PE da Petrobrás, de modo a refletir as prioridades da companhia no atual governo.

Levantamentos feitos pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Interesindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese, subseção FUP), mostram o poder de fogo das políticas de conteúdo local e sua relação com investimento e geração de emprego. “Para cada R$1 bilhão investido pela Petrobrás na construção de plataformas são gerados em torno de 26,3 mil empregos diretos e indiretos”, avalia ele, acrescentando que cada 1% de conteúdo nacional na construção off shore equivale à criação de cerca de 3,9 mil empregos.

“O conteúdo local no Brasil chegou a 40% em 2014, na etapa de exploração de petróleo; depois da chegada de Temer e Bolsonaro ao governo, caiu para 18%, em média”, destaca Cararine. Em paralelo, o número de trabalhadores da Petrobrás em 2014 atingiu 86 mil; em 2022, reduziu-se quase à metade, para 48 mil empregados.

Atualmente, está em curso a licitação lançada pela Petrobrás em 23 de dezembro do ano passado para a construção de duas plataformas, P-84 e P-85, para os campos de Sépia e Atapu , na Bacia de Santos (SP). O nível de conteúdo local é de 25% e há uma multa de 200% sobre a diferença do índice que não for cumprido. O edital de licitação segue as regras de contrato único. Caso o cronograma seja cumprido, a previsão de recebimento das propostas é julho próximo, com assinatura de contrato de construção em dezembro deste ano e início de produção das plataformas em 2028.

(Fonte: Brasil 247)

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