Notícias

Vice-presidente da Câmara contrata gráfica da mulher com verba pública

O vereador Antonio Goulart (PMDB), vice-presidente da Câmara Municipal, utilizou sua verba de gabinete para contratar uma gráfica de propriedade de sua mulher.

 

Desde novembro de 2009, foram usados R$ 37.839,63 de sua cota mensal de gastos correntes relacionados ao mandato para pagar a Companygraf Produções Gráficas e Editora Ltda. Sua mulher, Kazuko Hayashi Goulart, é dona de 50% da empresa. A prática é proibida por uma resolução da Casa. No total, 11 pagamentos de cerca de R$ 3 mil foram registrados no site de prestação de contas da Câmara Municipal. O maior deles foi feito em novembro de 2009 – R$ 6.399,38 para serviços de diagramação e impressão gráfica. O valor total repassado à companhia pode até ter sido maior, já que a Casa não detalha gastos feitos antes de abril de 2009. Além disso, a prestação de contas de dezembro de 2010 – mês no qual os vereadores costumam aumentar os gastos com gráficas – não havia sido divulgada até a noite de ontem.

A Companygraf fica no 461 da Rua Maria Aparecida Anacleto, na Capela do Socorro, zona sul de São Paulo, região em que mora o vereador e onde ele constituiu seu reduto eleitoral. Sua mulher se tornou sócia da gráfica em 1997, quando adquiriu 50% da companhia – mesmo porcentual que mantém até hoje, segundo a base de dados da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), atualizada na sexta-feira. O outro sócio é Vitor Cavalcanti de Arruda, amigo pessoal e colega de maçonaria do vereador. O empresário ocupou cargo comissionado, como coordenador de Manutenção da Infraestrutura Urbana da Subprefeitura de Santo Amaro, entre 2003 e 2004.

Ética. De acordo com a lei que instituiu as verbas de gabinete, cada vereador pode escolher livremente, sem licitação, os fornecedores com os quais vai gastar os R$ 15.393,75 mensais disponíveis para gastos como aluguel de veículos, correios, material de escritório e telefonia, entre outros. A única observação é respeitar o limite de R$ 8 mil para cada serviço prestado – valores acima disso só podem ser contratados após licitação, conforme estabelece a Lei 8.666/97.

Entretanto, uma resolução editada em 2003 pela Câmara proíbe os vereadores e seus cônjuges de firmar contrato com órgãos da administração pública. O item faz parte do capítulo “Das Infrações à Ética Parlamentar”. As penas previstas vão desde advertência verbal ou escrita até a perda do mandato. Além de receberem verba da Câmara Municipal, tanto a empresa quanto os sócios doaram dinheiro para as últimas campanhas eleitorais de Goulart. Nas eleições municipais de 2008, foram R$ 3,3 mil de Arruda e R$ 1,5 mil de Kazuko, totalizando R$ 4,8 mil. Mas o maior valor se refere a uma doação em nome da Companygraf nas eleições de 2004, quando a empresa doou R$ 32 mil para a campanha do vereador à reeleição.

As relações entre a gráfica e Goulart não param por aí. Foi ela que imprimiu seu livro Haja Coração, que trata sobre o centenário do Corinthians e foi lançado no ano passado. A empresa também é a proprietária do registro do blog político do vereador, que ele utiliza para postar mensagens pessoais e para comentar assuntos relativos à sua atuação na Câmara.

Silêncio. Procurada ontem, a Assessoria de Imprensa de Goulart disse que ele “não poderia comentar a reportagem por estar fora da cidade, incomunicável”. Segundo seus assessores, o vereador estaria em uma fazenda em Minas. O Estado confirmou o pedido de licença do parlamentar, protocolado na Casa na última quinta-feira, com duração de uma semana. O afastamento de Goulart às vésperas do início dos trabalhos legislativos de 2011, após quase dois meses de férias, causou surpresa entre seus colegas.

Negativa. O outro sócio da Companygraf, Vitor Arruda diz que a mulher do vereador o “ajudou” emprestando seu nome para atender a exigências legais. Mas, segundo o empresário, ela nunca foi sócia efetiva da gráfica. “A Kazuko nunca veio aqui. A gente teve uma conversa e ela me ajudou num momento em que eu precisei”, afirmou. “Pedi para o meu contador formalizar a saída dela da sociedade e não sei por que o nome da Kazuko ainda está lá.” Ele disse que ia questionar o contador e ligar de volta para a reportagem, o que não ocorreu até as 22 horas.

Arruda confirmou ainda ter ocupado cargo comissionado na Subprefeitura de Santo Amaro. O objetivo, diz ele, era “ajudar o bairro” em que nasceu. “Faço a revista da região, sou membro da Associação Comercial do bairro e me pediram para dar uma força naquela época. A gente precisava tirar alguns camelôs (das ruas) e minha missão era ajudar nisso”, disse o empresário.

Por: Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli
(Fonte: Estadão Online)

Related posts
Notícias

Município autoriza licitação de R$ 3,6 milhões para abrigo de longa permanência

lpi de Cascavel atenderá pessoas em situação de vulnerabilidade social encaminhados pela…
Read more
Notícias

Processo de licitação para obras do PAC Saúde avança na Prefeitura

Empresas já apresentaram propostas para construção da Policlínica Regional, CER4 e UBS Santa…
Read more
Notícias

Teresina lança licitação de quase R$ 500 milhões para limpeza urbana

Contrato prevê coleta de lixo e serviços de zeladoria por 24 meses A Prefeitura de Teresina…
Read more

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *