
Sem conhecimento de Rossi?
Se o chefe de gabinete do ministro sabia, se o secretário-executivo sabia… As câmeras vão dizer.
O ministro conhecia Fróes?
É só divulgar as imagens [do circuito interno da pasta].
É possível que o ministro desconhecesse Fróes?
As câmeras vão dizer quem está mentindo e quem está dizendo a verdade.
Em tantos anos no governo, o sr. já havia passado por isso?
Nunca. É fácil o ministro, o chefe de gabinete chegar lá e dizer: “Realmente, não aconteceu nada”. É fácil. Mas realmente aconteceu. Se pegar as filmagens, vão ver tudo que estou falando.
O sr. se sente ameaçado?
Acho que corro risco porque jamais na minha vida passei por uma situação desta. Tenho certeza de que Dilma precisa de apoio na Câmara e no Senado, mas que tenha apoio de pessoas equilibradas, que respeitem leis.
O sr. poderia descrever como Fróes lhe entregou dinheiro?
Me ligaram do 8º andar, eu fui. Me ligou a Isabel [Roxo], chefe de gabinete [da assessoria parlamentar]. Quando eu cheguei lá, ele me cumprimentou e me entregou.
Onde ele estava?
Ele estava na sala da chefe de gabinete. Cheguei, anunciei e entrei.
Abriu o envelope na hora?
Não.
O sr. não estranhou?
Era um envelope do ministério. Era uma pasta e dentro tinha um envelope. Não sabia o que tinha dentro. Desci e vi o que era. Liguei para ele e ele foi na minha sala. Eu disse que não aceitava.
Havia várias pastas como a que o sr. recebeu de Fróes?
Sim, algumas pastas.
O que ocorreu quando recusou o dinheiro de Fróes?
Ele falou: “Você não quer, tem umas pessoas lá que o Milton pediu pra ajudar, que é a Karla e a Girleide [dos Santos Sousa, que coordena a administração de material].
Era muito dinheiro?
Não contei.
Depois desse episódio, o sr. passou a sofrer pressões?
Várias perseguições. Muitas vezes saía para trabalhar e dizia à minha família que não sabia se voltava vivo.
Como foi seu afastamento?
Karla falou que eu não estava ajudando em nada e iria voltar para a Conab, estava tudo pronto, os papéis prontos. Quando cheguei na Conab ninguém me queria lá: ia assumir a comissão de licitação da Conab. Não deixaram.
O que achou quando ela disse que não estava ajudando?
Que não estava andando do jeito que eles queriam. E, para andar do jeito que queriam, não funciona comigo.

