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Parecer do Ibama de 2018 aponta que produto contra fogo usado na Chapada dos Veadeiros pode ter efeitos tóxicos

Em um relatório publicado em 2018, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) informava que o produto retardante usado no combate a incêndio na Chapada dos Veadeiros pode ter efeitos tóxicos. A substância Fire Limit foi jogada na área afetada para controlar o fogo que destruiu 75 mil hectares de vegetação. As chamas foram extintas no domingo (11), após empenho de dezenas de bombeiros e voluntários.

O parecer detalhou que o Fire Limit foi avaliado para um processo de compra pública, “tendo de comprovar sua baixa toxicidade e periculosidade ambiental como requisitos de um edital de licitação e não para obtenção de uma licença ambiental ou autorização para uso”.

De forma geral, no documento, consta um alerta sobre o uso de retardantes: “Em caso de aplicação do produto em terras indígenas ou próximo a locais populosos, informar à população da área sobre os possíveis riscos do consumo de água e alimentos provenientes do local nos 40 dias seguintes à aplicação do retardante de chamas”.

Em outra ocasião, o então chefe do PrevFogo – órgão subordinado ao Ibama, Gabriel Zacharias, defendeu adiar a compra de retardantes porque, de acordo com o parecer técnico, “mesmo substâncias de baixa toxicidade podem provocar efeitos ambientais adversos se a intensidade de uso for alta”.

O fabricante do produto informa que o Fire Limit não é tóxico e é biodegradável.

Na segunda-feira (12), o Ibama publicou uma nota informando que o uso do produto não é vedado por lei ou regulamento. A nota afirma ainda que “em muitos países o combate químico já é bastante difundido. Canadá, Estados Unidos e diversos países da Europa aderem a estas tecnologias com sucesso”.

O comunicado também ponderou que, devido ao dano causado pelo fogo, não considerar o uso desses retardantes “seria ignorar a preponderância dos ganhos versus os riscos avaliados, restando claro que os ganhos, no caso concreto, superam em muito os riscos”.

O ministro do Meio Ambeinte, Ricardo Sales, sobrevoou a área atingida no último sábado (10) e disse que o produto havia sido usado no combate ao incêndio na Chapada dos Veadeiros. A informação levou moradores a protestarem contra essa decisão.

Em resposta às manifestações, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente chamou os moradores de “maconheiros” e disse que a opinião deles “não tem relevância”.

Nesta terça-feira (13) o ministro voltou a falar sobre o uso do produto e disse que o retardante é usado em outros estados no combate às queimadas.

Outros registros do Ibama indicam que, no meio deste ano, foi levantada uma discussão sobre o uso de retardantes em incêndios florestais.

À época, Gabriel Zacharia, emitiu um parecer sobre o Fire Limit, dizendo que era um produto de baixa toxicidade, mas fez ressalvas ao uso desse tipo de químico no combate a incêndios.

O documento também informa que é aconselhável que seja evitada “aplicação do produto em Áreas de Preservação Permanente”, assim como na Chapada dos Veadeiros.

Em pedido para adiar a licitação para a compra de retardantes, Gabriel Zacharias reforçou que “hoje a área técnica não tem informações que possibilite separar o critério para classificar intensidade de uso alta ou baixa” e que é questionável “se diferentes biomas possuem a mesma sensibilidade a esses produtos”.

O professor de ecologia Carlos Henke de Oliveira, em entrevista ao Jornal Hoje, avalia que os estudos sobre os impactos se produtos como os retardantes ainda são poucos para se dar um parecer definitivo.

“No ambiente frágil não se usa. Agora, no ambiente forte, você pode usar de forma cirúrgica, eventualmente, um que tenha uma menor toxicidade. […] Não é aconselhável você utilizar retardantes sem saber o impacto. Nós estamos estudando os impactos, temos uma boa noção, já esses estudos precisam ser concluídos e eles serão concluídos no prazo de dois anos”, informou.

Fonte: G1

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