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Governo decide hoje se adia leilão do trem-bala

Entrega das propostas está marcada para a próxima 2ª-feira, mas investidores pedem prorrogação por seis meses.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) se reúne hoje com os interessados no trem-bala brasileiro para decidir se adia ou não o processo de licitação do projeto. Pelo cronograma atual, a entrega das propostas financeiras será na segunda-feira e a abertura dos envelopes, no dia 16 de dezembro. A maioria dos investidores quer que o governo prorrogue em, no mínimo, seis meses o processo de licitação.

A decisão de convocar os grupos ocorreu ontem, após reunião entre o presidente Lula, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. O encontro está marcado para às 15h30, na sede da agência reguladora, em Brasília. Na semana passada, os investidores já haviam se reunido com o ministro e Figueiredo no prédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na capital fluminense. Na ocasião, quase todos os investidores pediram a prorrogação dos prazos. Desde então, o mercado passou a ser inundado com uma série de informações de desistência de grupos, seguidos de desmentidos.

Depois dos franceses, ontem foi a vez dos japoneses contestarem uma matéria publicada no Japão sobre a desistência do grupo na licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV). Em São Paulo, um representante da Mitsui afirmou que tudo era “plantação” e que ainda não havia decisão sobre o projeto. “Estamos num processo de licitação. É estratégico dizer se vamos ou não participar”, afirmou a fonte.

Entre os chineses o clima de incerteza também predomina. Em documento obtido pelo Estado, a líder do consórcio, a empresa China Railway Construction Corporation (CRCC), avisa ao governo brasileiro que não participará da disputa por causa dos riscos elevados do projeto. Afirma ainda que as condições da licitação são bastante complicadas, difíceis de aceitar e que, um projeto dessa natureza, precisa de subsídios governamentais.

No Brasil, o representante do consórcio disse que a “história não é bem assim”. Segundo fontes, o grupo estaria dividido entre os que aceitam participar e aqueles que querem desistir. Os chineses chegam hoje ao País para anunciar uma decisão.

O único grupo que não pediu a prorrogação dos prazos foi o coreano. O consórcio conseguiu contornar divergências e desistência dentro do grupo e, até o início da tarde de ontem, já havia fechado acordo com 19 companhias. O número poderia subir para 23 com as negociações em curso. No mercado, os coreanos são vistos como os favoritos se o cronograma for mantido. Entre os fabricantes de equipamentos, o grande problema é o modelo de negócios. Como são responsáveis por uma parte pequena do projeto – menos de 10% -, eles não aceitam ter de arcar com os riscos da construção, responsável por quase 85% do volume de investimento, da ordem de R$ 33 bilhões. Eles querem ser apenas os fornecedores do consórcio vencedor e não fazer parte do negócio.

Pouco tempo. Outra briga fica por conta das grandes construtoras. Elas argumentam que não tiveram tempo suficiente para fazer o projeto básico do TAV, com as sondagens necessárias para avaliar os riscos. Segundo fonte ligada às empreiteiras, o projeto apresentado pelo governo é superficial e precisa ser revisto. Para o governo, o que todos querem é mais benefícios para levar o trem-bala.

 

Por Renée Pereira | São Paulo
(Fonte: Estadão SP)

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