Notícias

Empresas de obra na BR-174 doam R$ 12 mi

PR e PMDB foram os principais beneficiados por empreiteiras; TCU apura superfaturamento

 

Investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MP) em obras suspeitas de superfaturamento flagraram um caso emblemático na BR-174, na região de Roraima e Amazonas – redutos de parte da cúpula do PR, partido do ministro Alfredo Nascimento (Transportes). As empreiteiras da obra irrigaram as campanhas eleitorais do PR e do PMDB, no ano passado, com R$ 12 milhões.

 

Um acórdão do TCU, aprovado em setembro, aponta indícios de sobrepreço de R$ 24,5 milhões. A investigação foi feita em cima de R$ 282 milhões destinados à rodovia – total empenhado entre 2003 e junho de 2010.

 

Paralelamente ao trabalho do TCU, o MP investiga as doações das vencedoras da licitação a Nascimento (que foi candidato ao governo do Amazonas), ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), ao tucano Anchieta Júnior (candidato ao governo de Roraima) e ao deputado Luciano Castro (PR-RR). No total, as quatro empreiteiras – Via Engenharia, Delta Construções, CMT Engenharia e Engesa (do consórcio Seabra-Caleffi) – doaram aos candidatos e/ou aos partidos R$ 12,1 milhões em 2010.

 

A principal é a Via Engenharia, que também fez doações em nome de seu diretor, o empresário José Celso Valadares Gontijo, investigado pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora. Foram R$ 9 milhões. O mais beneficiado foi o PMDB, com R$ 5,8 milhões (R$ 1,3 milhão só ao diretório de Roraima, comandado por Jucá). Os demais candidatos receberam, em média, R$ 1 milhão.

 

A Delta Construções – de Aluizio Alves de Souza, investigado na Operação Mão Dupla da PF – doou R$ 1,150 ao diretório nacional do PMDB. A CMT Engenharia doou R$ 1,1 milhão, distribuídos entre o PMDB roraimense, Luciano Castro e Anchieta Júnior. A Egesa repassou R$ 782,8 mil ao diretório nacional do PR, controlado por Nascimento, e ao diretório amazonense.

 

Falhas. As obras da BR-174 abrangem 368,2 quilômetros, divididos em quatro lotes, a partir da divisa entre Amazonas e Roraima até Caracaraí (RR). Cada lote ficou a cargo das respectivas empresas: Delta Construções, Via Engenharia, consórcio Seabra-Caleffi e CMT Engenharia. No relatório, os técnicos do TCU apontaram falhas como a aplicação de fórmulas que encarecem os preços (dos materiais usados na pavimentação da via), previsão de uso de areia comercial, quando poderia ser utilizada areia extraída próxima à obra e uso de pá carregadeira em vez de escavadeira hidráulica.

 

Segundo o TCU, a compra de materiais como cimento e aço em Manaus, e não em Boa Vista, teria elevado o custo em R$ 6,2 milhões. Diante dessas falhas, o TCU pediu – e aguarda – esclarecimentos da Secretaria de Infraestrutura de Roraima e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

 

Por: Andrea Jubé Vianna
(Fonte: O Estado de S.Paulo)

Related posts
Notícias

Município autoriza licitação de R$ 3,6 milhões para abrigo de longa permanência

lpi de Cascavel atenderá pessoas em situação de vulnerabilidade social encaminhados pela…
Read more
Notícias

Processo de licitação para obras do PAC Saúde avança na Prefeitura

Empresas já apresentaram propostas para construção da Policlínica Regional, CER4 e UBS Santa…
Read more
Notícias

Teresina lança licitação de quase R$ 500 milhões para limpeza urbana

Contrato prevê coleta de lixo e serviços de zeladoria por 24 meses A Prefeitura de Teresina…
Read more

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *