Notícias

Cultura contrata produtora de evento sem licitação

Ministério pagará quase R$ 500 mil para cenógrafa Bia Lessa produzir cerimônia do prêmio Ordem do Mérito Cultural; valor equivale a um terço do custo da festa.

 

O Ministério da Cultura contratou sem licitação, por quase meio milhão de reais, a cenógrafa e produtora teatral Bia Lessa, para conceber a apresentação do prêmio Ordem do Mérito Cultural de 2010, que acontecerá no início de dezembro, no Rio de Janeiro.

O valor pago à produtora, o equivalente a um terço do que será gasto com o prêmio, inclui a “concepção, criação, desenvolvimento e direção” da cerimônia, que será no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.  Em um e-mail, o ministério justificou a contratação da produtora por R$ 498.369 pela necessidade de “dar a importância devida à lista de agraciados da Ordem do Mérito Cultural, que representa um reconhecimento por parte da sociedade brasileira às personalidades que deram importante contribuição à cultura brasileira, a começar do patrono deste ano, o antropólogo e educador Darcy Ribeiro”.

Também alega que a dispensa de licitação acontece porque a lei permite a contratação de artistas desde que “consagrados pela crítica especializada ou pela opinião pública”.

O prêmio, que é entregue desde 1995, terá este ano 40 agraciados. No total, custará aos cofres públicos R$ 1,5 milhão – R$ 200 mil a mais do que no ano passado. Apenas a contratação da Casa da Moeda para fazer os diplomas – também sem licitação – custará R$ 99.520, ou R$ 52 mil a mais do que em 2009.

O restante do dinheiro, explicou o ministério, inclui passagens aéreas e hospedagem para os 40 vencedores, contratação de iluminação e som para o espetáculo e “outras despesas”. Apesar de ter uma equipe de cerimonial à disposição, assim como todos os demais ministérios, a avaliação é de que, por causa da importância do evento, seria necessário contratar um produtor de fora. De acordo com o ministério, isso também foi feito no ano passado, a preços de mercado, como no caso de Bia Lessa. No entanto, os valores não foram repassados ao Estado.

“O serviço realizado por ela (Bia Lessa) não é compatível com o cerimonial de eventos. Nem o Ministério da Cultura, nem nenhuma área de cerimonial do governo federal, dispõe, em seus quadros, de diretores artísticos”, respondeu o ministério, por e-mail.

Procurada pelo Estado, Bia Lessa explicou que foi contactada pelo ministério há cerca de seis meses e, desde então, trabalha pelo espetáculo. “Entrega de prêmio é uma coisa complicada, normalmente demora muito”, disse. “Inclui uma traquitana gigantesca, tudo que está dentro do espetáculo não é o meu cachê. Infelizmente ainda não fiquei rica.”

 

Por: Lisandra Paraguassú | BRASÍLIA

(Fonte: Estadão Online)

Related posts
Notícias

Grão Mogol prorroga licitação para construção de creche municipal em convênio com o Estado

Certame para a edificação de unidade de educação infantil (CEMEI) teve data de julgamento…
Read more
Notícias

TCE-PR propõe melhorias em licitações da mantenedora do Hospital Pequeno Príncipe

Tribunal julgou parcialmente procedente Representação da Lei de Licitações sobre concorrência…
Read more
Notícias

Prefeitura abre licitação para compra de barracas destinadas a eventos e feiras em Parauapebas

A Prefeitura de Parauapebas abriu uma nova licitação para a aquisição de barracas desmontáveis…
Read more

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *