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Afastada promotora envolvidos no mensalão do DEM

Segundo o delator do mensalão do DEM, Bandarra recebeu do esquema R$ 1,6 milhão, além de mesada de R$ 150 mil, para impedir que os contratos sem licitação para a coleta de lixo fossem investigados.

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) decidiu na noite desta segunda-feira afastar o ex-procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, e a promotora Deborah Guerner por 120 dias ou até o fim de processo administrativo que os dois respondem por suposta participação no esquema que ficou conhecido como o mensalão do DEM. Eles são acusados de não exercerem suas funções administrativas em troca de propina paga pelo esquema organizado pelo então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Existem filmagens e ligações telefônicas entre os dois.

 

Segundo o delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, Bandarra recebeu do esquema R$ 1,6 milhão, além de mesada de R$ 150 mil, para impedir que os contratos sem licitação para a coleta de lixo fossem investigados. Bandarra nega as denúncias. Deborah estaria ligada a ele no esquema.

Em um áudio veiculado na sessão desta segunda-feira, Arruda diz que foi “achacado” por Deborah Guerner durante uma reunião. Ele também diz que só a recebeu a pedido do então vice-governador Paulo Octávio e de seu assessor Durval Barbosa, delator do esquema, famoso por filmar os encontros que tinha com aliados, nos quais efetuava o pagamento da propina. Por maioria de votos, os conselheiros entenderam que a permanência dos promotores no cargo seria “inconveniente” para o bom funcionamento do Ministério Público local. Alguns também afirmaram que o não afastamento poderia gerar tensão na instituição.

Eles também decidiram prorrogar por mais 30 dias o processo administrativo aberto em junho para investigar os promotores. Na ocasião, os conselheiros haviam entendido que eles tinham condição de se manter no cargo. Na sessão de hoje, porém, entendeu-se que existem fatos novos que levam à necessidade do afastamento. Caso sejam condenados, a pensa máxima será a aposentadoria compulsória, com salário proporcional ao tempo de serviço. Os conselheiros também decidiram incluir no processo novas provas colhidas pelo próprio Ministério Público. São diversos depoimentos concedidos a uma comissão formada dentro do CNMP.

A defesa de Bandarra e a de Guerner afirmam que seus clientes não deveriam ser punidos com o afastamento sem a conclusão do processo. A advogada de Bandarra, Gabriela Benfica, alega que tudo o que existe contra ele é fruto de “suposição” e conversas de terceiros. Já Deborah Guerner chegou a pedir aposentadoria proporcional por insanidade mental, o que foi negado.

 

Por: FELIPE SELIGMAN | DE BRASÍLIA

(Fonte: Estadão Online)

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