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Projetar pistas de skate no Rio vira negócio lucrativo

Sócios da Rio Ramp uniram a paixão pelas manobras com a arquitetura e faturaram R$ 200 mil em 2012

Dois pequenos empreendedores estão por trás da concepção das principais pistas públicas de skate do Rio de Janeiro. Sylvio Azevedo e Bruno Pires são sócios da Rio Ramp Design e são responsáveis, por exemplo, pelo complexo de Madureira – espaço com 3.850 metros quadrados que atende todas as vertentes do esporte.

 

A amizade entre os sócios começou quando Bruno tornou-se cliente da loja de skate mantida por Sylvio e passou a fazer parte, também, da mesma turma de praticantes do esporte. Como Sylvio projetava pistas, convidou o também arquiteto Bruno para uma parceria. A empresa foi criada em 2007, mas a dupla passou a se dedicar totalmente à Rio Ramp há três anos, quando os trabalhos tornaram-se mais frequentes.

 

Até o ano passado, a dupla era responsável apenas pela idealização dos espaços. A ideia para 2013 é cuidar também da construção das pistas e fazer o faturamento saltar de R$ 200 mil, em 2012, para R$ 700 mil em 2013. As obras públicas representam 40% do faturamento da empresa, mas a maioria dos projetos é resultado de parcerias público-privadas.

 

O primeiro skate park – nome dado a esse tipo de complexo – projetado pela dupla foi construído na Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal do Rio de Janeiro, e saiu do papel graças a uma parceria entre a multinacional Nike com a prefeitura.

 

Para Sylvio, o cenário atual do skate faz parte de um movimento que valoriza a prática de atividades fora de casa. “Tem muita gente andando de skate e o poder público está suprindo uma demanda. Liberar o espaço público para o skate e criar um skate park é uma tendência, não só no Rio de Janeiro, mas no mundo inteiro”, afirma.

 

A experiência da dupla contribui para a concepção dos projetos, mas Sylvio e Bruno não deixam de ouvir a opinião de quem vai utilizar o complexo.

 

“Estamos envolvidos na cena carioca. Antes de fazer uma pista, realizamos uma pesquisa com as pessoas que usam o espaço para analisar o que elas querem lá”, explica Sylvio. Em Madureira, por exemplo, o amplo espaço foi favorável para agradar praticantes de diversas modalidades, desde quem gosta de andar em um bowl (pista em formato de bacia) até aqueles que preferem superar diversos obstáculos com suas manobras – algo semelhante a andar nas ruas com o skate.

 

Outra preocupação dos sócios da Rio Ramp é com a tecnologia empregada na construção das pistas – desde a qualidade do concreto até o acabamento. “Utilizamos ferramentas feitas para cada estilo de pista. É uma coisa meio de escultura, uma técnica de fazer diferente para resultar em um acabamento mais propício para as rodas do skate”, explica Sylvio.

 

Análise. De acordo com o professor do MBA de Gestão de Riscos da Trevisan Escola de Negócios, Cláudio Gonçalves, a Rio Ramp Design enquadra-se na tendência de pequenas e médias empresas prestarem serviços para o poder público.

 

“Em geral, as pequenas empresas são mais focadas e sabem efetivamente colocar em prática os projetos que serão bem aproveitados pela população”, diz o especialista. Mas a empresa terá de atender a uma série de regras caso decida participar de licitações – hoje o pequeno empreendimento atua apenas onde há parceria entre empresas e o poder público.

 

“É importante ter regras contábeis e fiscais muito ajustadas para não parar no primeiro degrau do processo de licitação”, alerta Gonçalves. Outro ponto de atenção é não focar todos os esforços em obras públicas e diversificar as estratégias para aumentar o faturamento.

 

Por: GISELE TAMAMAR
(Fonte: O Estado de S.Paulo)

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