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Ex-secretário de Cabral revela fraude em licitação dos bombeiros do RJ

Ex-secretário no governo Sérgio Cabral presta depoimento na Operação Fatura Exposta nesta quarta (22) à Justiça

O ex-secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes, revelou que licitações do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro foram fraudadas enquanto ele exercia o cargo na Saúde do Estado. A declaração foi feita à Justiça Federal durante depoimento nesta quarta-feira (22).

O acerto teria ocorrido entre o empresário Miguel Iskin e o ex-governador Sérgio Cabral por meio de subcomandantes do Corpo de Bombeiros.

“Existiam subcomandantes que eram responsáveis pelas licitações do Corpo de Bombeiros. Isso [propina] foi acertado quando o então governador decidiu juntar Corpo de Bombeiros, que era ligado à pasta de Defesa Civil, para a Saúde. Ele [Cabral] me perguntou se o Miguel [Iskin] conhecia empresas que representavam equipamentos e isso ficou acertado em uma reunião entre o Miguel e o Sérgio [Cabral]. Ele representaria multinacionais nessas licitações”, afirmou.

Côrtes chegou a ser preso duas vezes pela Lava Jato, mas foi solto no mês passado pelo Superior Tribunal de Justiça.

A audiência desta quarta é sobre lavagem de dinheiro. No processo, o ex-secretário e a esposa Verônica Vianna são acusados de gastar US$ 1,4 milhão em propina com a compra de joias e gastos no exterior.

Os investigadores dizem que o objetivo era converter o dinheiro de crimes, com despesas de luxo em Las Vegas, Nova York e Europa. Um dos exemplos é a reserva de um hotel em Veneza, na Itália.

O ex-secretário foi ouvido sobre investigação da operação Lava Jato que apura desvios na Saúde de R$ 300 milhões, entre 2006 e 2017. A ação é um desdobramento da Operação Fatura Exposta.

Propina

Sérgio Côrtes também confirmou que recebeu propina de empresas com o intuito de formar “caixa” para lançar campanha a deputado federal – o que não ocorreu – e que os seus sucessores no cargo fizeram o mesmo.

“Os secretários que me sucederam fizeram a mesma coisa que eu: recolhiam um caixa de campanha, que nada mais era do que propina”, disse.

Questionado pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal, sobre os nomes dos sucessores que cometeram o crime, Côrtes afirmou: “Felipe Peixoto, Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior”.

Desvios de R$ 300 milhões

Os desvios teriam começado quando Sérgio Côrtes foi diretor do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e continuou no comando da secretaria Saúde.

O esquema, segundo o Ministério Público Federal (MPF), envolvia superfaturamento com cobrança de propina de 10% dos contratos nacionais e internacionais.

Na operação, também foram presos Miguel Iskin e Gustavo Estellita, sócios da empresa Oscar Iskin, uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio. A Justiça também deverá ouvir os dois na audiência desta quarta.

Os 10% de propina, segundo a investigação, eram divididos da seguinte maneira:

5% Sérgio Cabral
2% Sérgio Côrtes
1% Cesar Romero (ex-subsecretário de Saúde)
1% Tribunal de Contas do Estado
1% manutenção do esquema
A partir dessas porcentagens e do valor das importações do Into e da secretaria de Saúde, o MPF estimou os R$ 300 milhões em prejuízo aos cofres públicos. Eles foram denunciados por corrupção passiva, ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O que dizem os citados

Em nota, o atual deputado federal Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr., que assumiu a secretaria de Saúde no governo Pezão, disse que Sérgio Côrtes fez “mas uma ilação, uma mentira gravíssima, caluniosa, contra a qual serão tomadas as medidas judiciais cabíveis’.

Segundo ele, sua gestão da Secretaria de Estado de Saúde foi “marcada por redução de contratos e economia de recursos da ordem de R$ 1,4 bi por ano”.

O secretário afirmou que foi o terceiro secretário depois da saída de Côrtes e “encontrou uma rede uma rede falida, com dezenas de unidades fechadas, e mesmo com menos recursos conseguiu reorganizar a rede e inaugurar novas unidades, ampliando o atendimento”.

A nota termina com o ex-secretário afirmando que o trabalho “só foi possível porque houve um trabalho responsável com os recursos públicos, algo que o Sergio Cortes, réu confesso numa sucessão de crimes quando ocupou cargos públicos, infelizmente preferiu não fazer”.

O Corpo de Bombeiros informou que desconhece o conteúdo das declarações e está à disposição das autoridades caso necessário. A corporação esclarece que a Secretaria de Estado de Defesa Civil foi desvinculada da Secretaria de Estado de Saúde em junho de 2011.

A defesa do ex-governador Sérgio Cabral afirmou que ele “está à disposição das autoridades para esclarecer qualquer assunto relacionado ao seu governo, como também reparar os danos”.

O G1 está tentando contato com o ex-secretário Felipe Peixoto.

(Fonte: Gazeta Web)

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