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405 mil sem saneamento

Desassistidos representam 16,83% da população da região, que tem 2,4 milhões de habitantes; números fazem parte de balanço divulgado pelo Ministério das Cidades, com dados de 2014

O pedreiro Denílson Fernando Ribeiro, 37 anos, gosta de ver os aviões passarem pelo céu em São José. Ele mora no bairro do Sapê, na zona leste de São José, e não tem muita poluição visual que atrapalhe enxergar as aeronaves.

Mas ao voltar os olhos para o chão, ele se entristece com a falta de dois itens básicos em sua vida: água e esgoto encanados. Na mesma terra que produz a mais alta tecnologia aérea, Ribeiro convive com um problema crônico de países pobres: falta de saneamento básico.

“Puxo água de uma mina e jogo o esgoto da minha casa em caixas enterradas, como fossas sépticas”, conta ele, ao lado da mulher e dos seis filhos. “Mas queria ter as redes funcionando aqui. É melhor para a saúde”.

A família do pedreiro convive com o problema há anos. Ribeiro mora no Sapê desde os 14 anos. Ele é um dos 405 mil moradores da Região Metropolitana do Vale do Paraíba que vivem como na Idade Média, sem rede de coleta de esgoto.

Os desassistidos de saneamento básico representam 16,83% da população da região, que tem 2,4 milhões de habitantes. Os números fazem parte de balanço divulgado pelo Ministério das Cidades na última terça-feira, com dados de 2014. O estudo mostra que 42,4% dos moradores de áreas urbanas do país não tinham acesso a rede de esgoto naquele ano.

E a situação não deve melhorar nos próximos anos. O secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Paulo Ferreira, disse que a falta de recursos deve impedir o país de cumprir a meta de 93% da população conectada à rede de coleta até 2033.

“Tem que levar em conta que são metas ousadas”, disse ele durante a apresentação do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto. Ferreira aponta a “disponibilidade de recurso” como o maior obstáculo para levar esgoto encanado à população. “Há municípios com dificuldade de gestão para fazer licitação ou obter licenciamento ambiental”.

CIDADE/ O pedreiro Ribeiro faz parte do grupo de 38 mil moradores de São José que não contam com redes de água ou de esgoto, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil com base em dados da Sabesp sobre áreas irregularidades. Eles representam 5,65% da população de uma das cidades mais tecnológicas do país.

O município, segundo o estudo, tem 145 bairros clandestinos nos quais a Sabesp diz ser impedida pela legislação de instalar redes. Com isso, os moradores tentam driblar a falta do mais básico dos itens de cidadania.

“Queremos as redes instaladas para viver melhor. A prefeitura deveria acelerar o processo de regularização do bairro”, reclama Ribeiro. A Prefeitura de São José informou que a regularização de bairros é prioritária no governo e que, desde 2013, já regularizou 16 áreas, com quase 16 mil moradores.

(Fonte: Gazeta Taubaté)

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